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Jornal Terra > Blog > Notícias > Preço do milho cai no porto e pressiona produtor em meio à safra recorde
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Preço do milho cai no porto e pressiona produtor em meio à safra recorde

Dylan Westmore
Dylan Westmore 24 junho, 2026
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9 Min de leitura
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Queda no valor de exportação em Paranaguá reflete oferta mundial elevada e reabre debate sobre margens no campo brasileiro

Contents
Por que o preço do milho caiu mesmo com a safra grandeO que os dados do MAPA mostram sobre as exportações brasileirasO que esperar para os próximos meses da safra de milho

O produtor brasileiro de milho enfrenta um cenário que combina dois sinais aparentemente contraditórios: uma das maiores safras já registradas e preços em queda tanto no mercado externo quanto no doméstico. Entre maio e junho deste ano, a referência de exportação do milho no porto de Paranaguá recuou de US$ 231 para US$ 208 por tonelada, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). No mercado interno, o Indicador do Milho ESALQ/BM&FBovespa, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), também mostrou retração, fechando em R$ 62,97 por saca de 60 quilos em 19 de junho.

A combinação de oferta abundante, competição internacional acirrada e câmbio levanta dúvidas sobre como o produtor deve se posicionar nos próximos meses. Entender os fatores que pressionam o preço do grão e o que isso significa para quem decide vender agora ou esperar é essencial para o planejamento da safra 2025/2026.

Por que o preço do milho caiu mesmo com a safra grande

A explicação para a queda nos preços passa, em primeiro lugar, pela combinação de oferta elevada em diferentes países exportadores. De acordo com o relatório de junho do USDA, as cotações de exportação recuaram não apenas no Brasil, mas também na Argentina, enquanto os Estados Unidos registraram baixa nos preços por conta do início favorável da temporada de cultivo. Quando os principais concorrentes do Brasil no mercado internacional de milho também colhem volumes robustos, a disputa por compradores se intensifica e empurra os valores para baixo, já que nenhum exportador consegue sustentar preços altos isoladamente em um mercado com tanta oferta disponível.

O termo técnico para a cotação observada no porto é FOB, sigla que indica o preço da mercadoria antes de embarcar, sem considerar o frete internacional. Esse valor funciona como termômetro da competitividade externa do produto brasileiro frente a outros países. A retração de US$ 231 para US$ 208 por tonelada em apenas dois meses mostra que o mercado já reage à perspectiva de mais grão disponível globalmente, mesmo antes da colheita brasileira estar totalmente concluída. No mercado doméstico, o reflexo aparece no Indicador ESALQ, que teve queda mensal de 2,99% até 19 de junho. Esse número não representa diretamente o preço internacional, mas ajuda a entender o efeito combinado entre oferta interna, variação cambial, demanda dos compradores e a chamada paridade de exportação, ou seja, quanto vale a pena vender para fora em comparação com vender dentro do país. Vale destacar que o mercado de commodities não observa apenas o volume total da safra, mas também quando o produto chega ao mercado, em que região está localizado e qual o custo de transporte até os portos, fatores que podem alterar significativamente a margem final do produtor mesmo em anos de colheita recorde.

O que os dados do MAPA mostram sobre as exportações brasileiras

Apesar da pressão sobre os preços, os números de exportação seguem relevantes para a economia do setor. Conforme o Sumário Executivo do Milho em Grão, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) com base no sistema Comex Stat, o Brasil exportou 7,26 milhões de toneladas de milho em grão até a atualização de abril deste ano, movimentando US$ 1,63 bilhão. Egito, Vietnã e Irã aparecem entre os principais destinos do cereal brasileiro, reforçando a relevância do grão nacional para mercados que dependem da produção de ração animal e da segurança alimentar fora do país.

Esses destinos não são novidade na pauta exportadora brasileira. Em 2025, Irã, Egito, Vietnã e União Europeia concentraram quase 60% do valor total exportado pelo país, segundo o mesmo levantamento do MAPA. A manutenção desses mercados é importante justamente porque, em um cenário de preços mais baixos, a capacidade de escoar volume com rapidez e qualidade se torna decisiva para o resultado financeiro da safra. O Brasil disputa espaço com Argentina, Estados Unidos e Ucrânia em um tabuleiro global onde a logística de escoamento, da fazenda até o porto, pesa tanto quanto o preço de venda. Gargalos no transporte ou demora na colheita podem reduzir ainda mais a margem do produtor, mesmo quando a demanda externa permanece estável. Por isso, especialistas do setor têm reforçado que o momento exige atenção redobrada ao planejamento logístico e à leitura do mercado internacional, já que a safra brasileira de milho, mesmo menor do que a de 2025 segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ainda representa volume suficiente para influenciar os preços globais do grão.

O que esperar para os próximos meses da safra de milho

Olhando para frente, o IBGE projeta que a safra brasileira de grãos, cereais e leguminosas deve recuar 3,7% em 2026 na comparação com o recorde histórico do ano anterior, somando 332,7 milhões de toneladas. Para o milho especificamente, o levantamento aponta queda de produção atribuída a fatores climáticos menos favoráveis e à influência do fenômeno La Niña, que tende a trazer chuvas mais intensas para o Centro-Oeste e menor volume de precipitação para o Sul do país. Apesar da retração na produção total, a área a ser colhida deve crescer 1,1% em relação ao ano anterior, alcançando 81,5 milhões de hectares, quase o tamanho do estado do Mato Grosso.

Esse cenário de safra menor, mas ainda volumosa, combinado com preços internacionais pressionados, deve manter o produtor de milho atento às janelas de venda ao longo do segundo semestre. A queda de preço não significa necessariamente perda de competitividade do Brasil no mercado externo, mas exige mais cautela na hora de negociar e maior aproveitamento da capacidade de armazenagem, que segundo o IBGE cresceu 1,8% no primeiro semestre, chegando a 231,1 milhões de toneladas em todo o país. Armazenar a produção em vez de vender imediatamente após a colheita tem sido uma estratégia cada vez mais usada para esperar momentos de preço mais favorável, especialmente em um ano marcado por oscilações no câmbio e nas cotações internacionais.

A combinação entre safra robusta, preços em queda e logística desafiadora resume o momento do milho brasileiro em 2026. Para o produtor, a decisão entre vender agora ou aguardar uma recuperação de preços passa por avaliar custos de armazenagem, capacidade financeira para esperar e leitura do comportamento dos concorrentes internacionais. Já para a cadeia exportadora, manter destinos consolidados como Egito, Vietnã e Irã segue sendo estratégico para garantir escoamento, mesmo em um cenário de margens mais apertadas. Acompanhar os próximos boletins do MAPA, do CEPEA e do IBGE será fundamental para entender se a tendência de queda nos preços se mantém ou se reverte nos próximos meses, à medida que a colheita avança e o mercado internacional ajusta suas próprias projeções de oferta e demanda.

Fontes:

  • https://www.tempo.com/noticias/plantas/a-dificil-conta-do-milho-em-2026-por-que-a-safra-recorde-do-brasil-encontrou-precos-mais-baixos.html
  • https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-11/safra-deve-recuar-37-em-2026-depois-de-um-2025-recorde

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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