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Jornal Terra > Blog > Tecnologia > Inteligência artificial já reduz uso de defensivos e ganha espaço no campo brasileiro
Tecnologia

Inteligência artificial já reduz uso de defensivos e ganha espaço no campo brasileiro

Dylan Westmore
Dylan Westmore 28 julho, 2026
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8 Min de leitura
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Tecnologia auxilia no monitoramento de lavouras, na identificação de pragas e na aplicação pontual de insumos, com resultados que devem ser debatidos em evento no início de agosto

Contents
Como a IA já está presente nas lavouras brasileirasO que muda com a chegada da inteligência artificial generativaRastreabilidade e novas exigências do mercado

A inteligência artificial deixou de ser promessa distante para o agronegócio brasileiro e já aparece incorporada a diferentes etapas da produção agropecuária. De monitoramento de lavouras ao direcionamento da aplicação de defensivos, a tecnologia vem sendo usada por produtores, agrônomos e empresas do setor como ferramenta de ganho de eficiência e redução de custos. O avanço chega em um momento no qual o Brasil consolida a posição de maior exportador de alimentos do mundo, o que naturalmente levanta a dúvida sobre até onde essa tecnologia pode transformar a rotina do campo e quais cuidados o produtor ainda precisa ter ao adotá-la.

Como a IA já está presente nas lavouras brasileiras

De acordo com reportagem publicada pela Folha Agrícola, a inteligência artificial já está presente em diferentes etapas da produção agropecuária brasileira, auxiliando no monitoramento de lavouras, na identificação de pragas e doenças, na previsão climática, na manutenção de máquinas e no direcionamento da aplicação de insumos. O tema ganhou ainda mais visibilidade com a popularização de ferramentas de inteligência artificial generativa, mas especialistas do setor destacam que o uso de IA no agro é anterior a esse movimento. Segundo a mesma reportagem, áreas como visão computacional e aprendizado de máquina já estão incorporadas há algum tempo a equipamentos, plataformas digitais e softwares agrícolas, o que mostra que a tecnologia vem evoluindo de forma gradual antes de chegar ao patamar de maturidade observado agora. FolhaagricolaFolhaagricola

Um exemplo prático e mensurável desse avanço foi apresentado durante a Agrishow 2026, realizada em Ribeirão Preto. O vice-presidente de Agricultura Inteligente da Bosch, Matias Schelp, afirmou que a inteligência artificial pode reduzir em média 62% o uso de defensivos no campo ao permitir a identificação de pragas em tempo real e a aplicação pontual de insumos. Segundo ele, o Brasil está entre os maiores consumidores de herbicidas do mundo e parte considerável desse volume se perde durante a aplicação tradicional, o que reforça o potencial econômico e ambiental de sistemas de pulverização inteligente. Times Brasil

Além da questão dos defensivos, a Agrishow também sinalizou outras frentes de inovação que devem ganhar força na próxima safra. Entre os temas apresentados na feira, que reuniu mais de 800 expositores, estão o monitoramento de carbono, a inteligência agronômica aplicada à tomada de decisão e diferentes formas de automação no campo. Esse conjunto de tecnologias aponta para uma safra cada vez mais orientada por dados e conectividade, na qual o produtor passa a tomar decisões com base em informações em tempo real, e não apenas em experiência acumulada ao longo dos anos.

O que muda com a chegada da inteligência artificial generativa

Um novo capítulo dessa transformação está prestes a ser discutido publicamente. Nos dias 3 e 4 de agosto, o Centro de Eventos São Luís, em São Paulo, recebe o 17º Brasil AgrochemShow, evento que vai reunir produtores, agrônomos e empresas para debater justamente o avanço da inteligência artificial na aplicação de defensivos e em outras etapas da produção agrícola. Uma das palestras do evento, conduzida pelo engenheiro agrícola Guilherme Sanches, deve detalhar como a tecnologia tem sido incorporada à rotina de produtores e quais cuidados ainda são necessários na adoção dessas ferramentas.

Segundo a reportagem da Folha Agrícola, a inteligência artificial generativa também começa a ser utilizada na elaboração de relatórios, organização de resultados de ensaios, comparação de dados de talhões e preparação de consultas técnicas, atividades que antes exigiam horas ou dias de trabalho manual e agora podem ser realizadas em menos tempo. Ainda assim, a mesma fonte reforça um ponto importante para quem acompanha o tema com atenção: os resultados gerados por essas ferramentas continuam precisando de revisão e interpretação por profissionais com conhecimento técnico, já que a tecnologia substitui tarefas específicas, mas não dispensa o julgamento humano especializado. Folhaagricola

Esse cuidado é especialmente relevante em um setor no qual decisões equivocadas sobre aplicação de insumos ou manejo de pragas podem gerar prejuízos financeiros significativos em uma única safra. Por isso, o discurso predominante entre especialistas não é o de substituição do produtor ou do agrônomo pela tecnologia, mas de complementaridade, na qual a inteligência artificial amplia a capacidade de análise de grandes volumes de dados, algo que seria inviável de se fazer manualmente no mesmo intervalo de tempo, enquanto o profissional segue responsável pela decisão final.

Rastreabilidade e novas exigências do mercado

Outra frente na qual a inteligência artificial vem ganhando espaço é a da rastreabilidade da produção, tema que se conecta diretamente às exigências crescentes de mercados importadores em relação à origem e à sustentabilidade dos produtos agropecuários brasileiros. O próprio Ministério da Agricultura já sinalizou, em material institucional sobre sua plataforma de serviços integrados de defesa agropecuária, que o uso combinado de inteligência artificial e blockchain deve permitir rastreabilidade em tempo real, auditorias mais ágeis e redução da burocracia por meio da digitalização de processos, com integração a sistemas públicos e privados.

Esse movimento é particularmente relevante para cadeias como a de soja e carne, nas quais o controle documental e a conformidade ambiental têm peso crescente em contratos de exportação e em processos de certificação internacional. À medida que compradores externos passam a exigir mais transparência sobre a origem dos produtos, a capacidade de responder rapidamente a auditorias e exigências contratuais se torna parte relevante da competitividade do agronegócio brasileiro no mercado global, e não apenas um diferencial de imagem institucional.

O avanço da inteligência artificial no campo brasileiro mostra um setor que já superou a fase experimental de drones e sensores isolados e caminha para uma rotina de decisões cada vez mais orientada por dados. Os resultados apresentados em eventos como a Agrishow, aliados à agenda que deve ser discutida no Brasil AgrochemShow em agosto, indicam que o produtor brasileiro tem à disposição ferramentas capazes de reduzir custos e desperdício, mas que ainda dependem de conhecimento técnico para serem aplicadas com segurança. O desafio dos próximos anos será equilibrar ganho de eficiência com a formação adequada de quem está na ponta da operação.

Fontes:

  • Folha Agrícola
  • Times Brasil / CNBC
  • Itshow
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