Cultura alcança 7,5 milhões de toneladas e se consolida como alternativa ao milho, impulsionada pela resistência à seca, pelo etanol e pela abertura do mercado chinês.
A produção de sorgo vem ganhando espaço no agronegócio brasileiro e já alcança cerca de 7,5 milhões de toneladas, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (21). O avanço ocorre em um momento de busca por alternativas ao milho, especialmente diante dos desafios climáticos e da necessidade de ampliar as opções de cultivo durante a segunda safra. (Canal Rural)
Além da maior utilização no mercado interno, o cereal começa a conquistar novas oportunidades no comércio internacional. A abertura do mercado chinês e o crescimento da demanda relacionada à alimentação animal e à produção de biocombustíveis ampliam as possibilidades para produtores brasileiros.
Sorgo ganha espaço como alternativa ao milho
Um dos principais fatores que favorecem o avanço do sorgo é sua maior resistência a períodos de seca. Essa característica torna o cereal uma alternativa estratégica para produtores que buscam reduzir os riscos associados às condições climáticas durante a segunda safra.
O crescimento também ocorre em um cenário de expansão da área cultivada. Segundo dados da Conab, a produção nacional de sorgo na safra 2025/26 está estimada em aproximadamente 7,5 milhões de toneladas, enquanto a área plantada apresentou expansão de 32,9%. (Canal Rural)
Goiás aparece entre os principais polos produtores. O estado tem previsão de colher aproximadamente 2,2 milhões de toneladas na safra 2025/26, representando cerca de 29,3% da produção nacional e mantendo a liderança pelo oitavo ciclo consecutivo. (Giro do Boi)
Etanol amplia demanda pelo cereal
Outro fator que contribui para o crescimento do sorgo é a busca da agroindústria por matérias-primas alternativas. O cereal pode ser utilizado na alimentação animal e também apresenta potencial para aplicações relacionadas à produção de biocombustíveis.
A expansão do etanol de milho no Brasil vem estimulando investimentos e aumentando a necessidade de diversificação das matérias-primas utilizadas pela indústria. Esse movimento cria um ambiente favorável para culturas que podem complementar o fornecimento de grãos e atender diferentes segmentos da cadeia agroindustrial.
O avanço do sorgo também ocorre paralelamente às mudanças no mercado de milho. Com a China ampliando sua própria produção e reduzindo a necessidade de algumas importações, produtores brasileiros passaram a buscar novos destinos e formas de agregar valor ao cereal produzido no país. (Canal Rural Mato Grosso)
China abre novo mercado para o sorgo brasileiro
A expansão das exportações é outro elemento importante para o setor. Em agosto, a trading Cofco realizou um embarque de 69 mil toneladas de sorgo brasileiro para a China, partindo do Porto de Santos com destino ao Porto de Nansha, em Guangzhou. A operação marcou um novo fluxo comercial para o cereal brasileiro. (Canal Rural)
A abertura do mercado chinês aumenta as alternativas de comercialização para os produtores e pode fortalecer a posição do Brasil no comércio internacional de sorgo. A diversificação dos destinos também reduz a dependência de poucos compradores e amplia as possibilidades de planejamento para a cadeia produtiva.
Com produção em crescimento, maior resistência às condições climáticas e novas oportunidades de exportação, o sorgo passa a ocupar um espaço mais relevante no agronegócio brasileiro. O desempenho da cultura nos próximos ciclos dependerá da evolução da demanda interna, dos preços, das condições climáticas e da consolidação dos novos mercados internacionais.
Fontes principais: Canal Rural — Produção de sorgo dispara no Brasil · Canal Rural — Primeiro grande embarque de sorgo brasileiro para a China · Canal Rural — Safra de grãos 2025/26