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Exportações do agro avançam e ajudam Brasil a acumular superávit comercial de R$ 270,87 bilhões

Dylan Westmore
Dylan Westmore 24 agosto, 2026
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14 Min de leitura
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Vendas externas da agropecuária cresceram 10,4% na média diária até a segunda semana de agosto, enquanto soja, café e animais vivos apresentaram avanços; resultado reforça participação do campo no comércio exterior brasileiro.

Contents
Soja e café registram crescimento nas exportaçõesMilho apresenta queda e mostra cenário desigual entre culturasCarnes e produtos processados ampliam participaçãoImportações da agropecuária recuamBrasil acumula saldo comercial positivo em 2026Agro mantém papel estratégico no comércio exteriorFontes

As exportações da agropecuária brasileira mantiveram ritmo positivo em agosto de 2026 e contribuíram para fortalecer o resultado da balança comercial do país. Até a segunda semana do mês, as vendas externas do setor alcançaram US$ 3,49 bilhões, crescimento de 10,4% na média diária em comparação com agosto de 2025, segundo dados preliminares oficiais do comércio exterior brasileiro. O desempenho mostra que, mesmo diante das oscilações de preços e da demanda internacional, produtos ligados ao campo continuam tendo participação importante nas vendas brasileiras para outros países. (Balança Comerciais)

No acumulado do ano até esse período, o Brasil registrava superávit comercial equivalente a aproximadamente R$ 270,87 bilhões, conforme conversão apresentada pela reportagem publicada em 21 de agosto. O saldo representava crescimento de 29,2%, enquanto a corrente de comércio — soma das exportações e importações — estava próxima de R$ 2,17 trilhões, com avanço de 8,5%. O resultado não pode ser atribuído exclusivamente ao agronegócio, já que indústria extrativa e indústria de transformação também possuem peso significativo, mas o crescimento das vendas agropecuárias contribuiu para a expansão das exportações brasileiras. (CONEXÃO MT)

Somente até a segunda semana de agosto, as exportações brasileiras de todos os setores correspondiam a aproximadamente R$ 83,69 bilhões, enquanto as importações alcançavam cerca de R$ 67,87 bilhões. Dessa diferença resultava um superávit aproximado de R$ 15,86 bilhões no período analisado. Na comparação com agosto do ano anterior, a média diária das exportações totais aumentou 14,3%, enquanto as importações cresceram 16,2%, mostrando expansão dos dois lados do comércio exterior. (CONEXÃO MT)

Os números utilizados são preliminares e precisam ser tratados dessa forma. O cronograma oficial do governo prevê para esta segunda-feira, 24 de agosto, uma nova divulgação parcial, referente às operações realizadas entre 17 e 23 de agosto. Portanto, os valores da segunda semana constituem um retrato parcial do mês e podem mudar à medida que novos embarques e importações sejam incorporados às estatísticas oficiais. (Balança Comerciais)

Soja e café registram crescimento nas exportações

Entre os produtos agropecuários que ajudaram a sustentar o desempenho positivo estão algumas das principais commodities produzidas no Brasil. Os embarques de soja cresceram 13,2% na comparação anual considerada pelo levantamento, reforçando a importância da oleaginosa na pauta exportadora. Para estados produtores como Mato Grosso, Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, o comportamento das exportações influencia diretamente comercialização, armazenagem, logística e planejamento das próximas safras. (CONEXÃO MT)

O café não torrado também apresentou desempenho favorável, com aumento de 22% nas vendas externas. O resultado chama atenção porque a cadeia cafeeira brasileira atravessa um cenário no qual disponibilidade, preços internacionais e comportamento dos compradores externos podem provocar mudanças importantes nas receitas obtidas pelos produtores e exportadores. O avanço dos embarques contribuiu para o crescimento observado no conjunto da agropecuária durante o início de agosto. (CONEXÃO MT)

O crescimento mais expressivo entre os grupos destacados ocorreu nas vendas de animais vivos, excluídos pescados e crustáceos, que aumentaram 180,7% na comparação utilizada. Variações percentuais dessa magnitude precisam ser observadas junto aos valores absolutos e à base de comparação, mas demonstram que segmentos além dos tradicionais grãos também participaram do crescimento das vendas agropecuárias. (CONEXÃO MT)

Os resultados ajudam a explicar por que o agronegócio permanece estratégico para o comércio exterior brasileiro. Além da produção primária, a cadeia movimenta transportadoras, terminais portuários, armazéns, tradings, frigoríficos e indústrias de processamento. Dessa forma, mudanças nos embarques agrícolas podem produzir efeitos econômicos que se estendem muito além das propriedades rurais.

Milho apresenta queda e mostra cenário desigual entre culturas

O crescimento geral das exportações agropecuárias não significa que todos os produtos tenham apresentado resultados positivos. Os embarques de milho não moído caíram 25,6% na comparação anual. O dado mostra que diferentes cadeias podem atravessar momentos bastante distintos mesmo quando o resultado agregado do setor é favorável. (CONEXÃO MT)

No mercado de milho, fatores como calendário da segunda safra, disponibilidade interna, preços internacionais, demanda dos compradores e ritmo de escoamento influenciam diretamente o volume destinado ao exterior. O cereal também ganhou uma demanda doméstica relevante com a expansão da indústria de etanol de milho, além de continuar sendo uma matéria-prima fundamental para produção de rações destinadas principalmente às cadeias de aves e suínos.

Outro recuo ocorreu nas exportações de mel natural, que diminuíram 32,9%. O grupo formado por sementes oleaginosas de girassol, gergelim, canola, algodão e outros produtos apresentou retração de 42%. Como esse último indicador reúne diferentes mercadorias, o percentual agregado não significa necessariamente que todas as culturas tenham sofrido quedas na mesma intensidade. (CONEXÃO MT)

Essas diferenças reforçam a necessidade de analisar a balança comercial produto por produto. Um resultado positivo para a agropecuária como um todo pode coexistir com dificuldades em determinadas cadeias, da mesma maneira que uma redução temporária nos embarques não necessariamente representa queda da produção. Estoques, preços e decisões comerciais também interferem no momento em que a mercadoria efetivamente deixa o país.

Carnes e produtos processados ampliam participação

A indústria de transformação ligada ao agronegócio também apresentou resultados expressivos. As exportações de carne de aves e miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas cresceram 48,1% na comparação anual. O desempenho é relevante porque produtos processados incorporam etapas industriais à produção agropecuária e movimentam uma cadeia que começa no campo e passa por frigoríficos, logística e distribuição internacional. (CONEXÃO MT)

Outro destaque foi o grupo que reúne farelo de soja, alimentos destinados a animais e farinhas de carnes e de outros produtos de origem animal, cujas vendas externas aumentaram 55,8%. No caso da soja, a exportação de derivados mostra que parte da produção nacional também chega ao mercado internacional depois de passar pela indústria de processamento, e não somente na forma de grãos. (CONEXÃO MT)

Esse movimento possui importância para regiões produtoras porque a industrialização pode gerar atividades econômicas adicionais perto das áreas agrícolas. Unidades de esmagamento de soja, fábricas de ração, frigoríficos, usinas e estruturas de armazenamento aumentam a complexidade das cadeias produtivas e podem gerar empregos e investimentos além da produção rural propriamente dita.

No conjunto da economia brasileira, a indústria de transformação respondeu por aproximadamente R$ 42,02 bilhões em exportações até a segunda semana de agosto, crescimento de 8,8%. A indústria extrativa, por sua vez, exportou aproximadamente R$ 22,68 bilhões, registrando avanço de 27,8%. Os dados mostram que o saldo comercial brasileiro é formado por diferentes setores, embora o agro tenha mantido desempenho positivo no período. (CONEXÃO MT)

Importações da agropecuária recuam

Enquanto as exportações agropecuárias avançaram, as importações do setor seguiram direção oposta. As compras externas da agropecuária caíram 5,3%, para aproximadamente R$ 1,04 bilhão no período analisado. Entre os produtos que apresentaram redução estavam trigo e centeio não moídos, cujas importações recuaram 8,2%, além da soja, com queda de 8,7%. (CONEXÃO MT)

Um dos movimentos que merece acompanhamento ocorreu nos insumos agrícolas. As importações de fertilizantes brutos diminuíram 65,7%, enquanto as compras de adubos e fertilizantes químicos recuaram 27,3% na comparação apresentada. Uma queda em uma janela curta não permite concluir isoladamente que haverá falta de insumos, pois o resultado pode estar relacionado ao calendário de compras, formação anterior de estoques, preços internacionais e decisões comerciais das empresas. (CONEXÃO MT)

O comportamento das importações de fertilizantes é particularmente importante para o agronegócio brasileiro devido à dependência externa do país em parte desses produtos. Por isso, produtores, cooperativas e empresas acompanham não apenas os volumes importados, mas também câmbio, preços internacionais, fretes e disponibilidade logística antes do plantio.

Em outras categorias, houve movimento contrário. As importações de produtos hortícolas frescos ou refrigerados cresceram 74,4%, enquanto as compras externas de pescados inteiros, vivos, mortos ou refrigerados aumentaram 24,1%. O quadro reforça a diversidade do comércio exterior agropecuário brasileiro, que simultaneamente exporta grandes volumes de commodities e importa alimentos e insumos específicos. (CONEXÃO MT)

Brasil acumula saldo comercial positivo em 2026

Considerando todos os setores da economia, as exportações brasileiras acumuladas de janeiro até a segunda semana de agosto correspondiam a aproximadamente R$ 1,22 trilhão, com crescimento de 10,5% em relação ao período equivalente de 2025. As importações chegaram a cerca de R$ 949,51 bilhões, avanço de 6,1%. A diferença entre os fluxos manteve o saldo comercial brasileiro em território positivo. (CONEXÃO MT)

O superávit de aproximadamente R$ 270,87 bilhões divulgado a partir desses números representa o saldo do comércio exterior brasileiro como um todo, e não apenas do agronegócio. Essa distinção é importante: o campo contribuiu para o desempenho ao registrar crescimento de 10,4% nas exportações agropecuárias, mas setores industriais e extrativos também participaram significativamente das vendas externas do país. (Balança Comerciais)

Para o produtor rural, um ambiente de exportações aquecidas pode contribuir para sustentar a demanda por determinadas commodities, mas o efeito sobre a rentabilidade depende de vários fatores. Cotação internacional, taxa de câmbio, custos com fertilizantes, defensivos, sementes, transporte e financiamento interferem no valor que efetivamente permanece com quem produz.

Os próximos dados serão importantes para verificar se o ritmo observado nas primeiras semanas de agosto será mantido até o encerramento do mês. O calendário oficial do governo prevê uma nova parcial em 24 de agosto, seguida de outra atualização em 31 de agosto e da consolidação mensal posteriormente. Assim, os números apresentados até agora devem ser entendidos como preliminares. (Balança Comerciais)

Agro mantém papel estratégico no comércio exterior

O crescimento das exportações agropecuárias reforça a importância estrutural do setor para a inserção brasileira no mercado internacional. Soja, café, carnes e diversos produtos processados formam cadeias capazes de gerar receitas externas e movimentar uma extensa rede de atividades econômicas dentro do país.

Os dados também mostram uma transformação qualitativa importante: além dos produtos primários, alimentos processados e derivados do agronegócio aparecem com crescimento relevante. O avanço de carnes de aves, farelos e alimentos para animais indica que uma parcela do valor exportado está relacionada a atividades industriais conectadas diretamente à produção rural. (CONEXÃO MT)

Ao mesmo tempo, o recuo observado em milho e algumas outras categorias demonstra que o cenário não é uniforme. Cada cadeia responde de maneira diferente às condições internacionais, aos preços, à disponibilidade interna e ao calendário de produção. Por isso, o resultado agregado positivo precisa ser acompanhado de uma análise específica dos principais produtos.

Em 24 de agosto de 2026, a atenção do mercado se volta agora para a nova parcial oficial da balança comercial. Ela incorporará uma semana adicional de operações e permitirá verificar se a expansão das exportações agropecuárias continuou durante a segunda metade do mês. Até então, o quadro disponível mostra o agro crescendo nas vendas externas e contribuindo para um saldo comercial brasileiro significativamente positivo em 2026. (Balança Comerciais)

Fontes

  • MDIC — Balança Comercial Preliminar de agosto de 2026
  • Conexão MT — Vendas do agro ajudam Brasil a acumular superávit anual de R$ 270,87 bilhões
  • MDIC — Cronograma oficial de divulgações da Balança Comercial
  • Ministério da Agricultura — Balança comercial do agronegócio
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