A distribuição regional dos impactos potenciais da seca colocou Bahia, Alagoas e Sergipe no centro do alerta para a atividade agropecuária em setembro de 2026. Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) mostram que 228 municípios brasileiros tinham mais de 80% de suas áreas agrícolas ou de pastagens potencialmente afetadas pelo fenômeno.
O levantamento integra o monitoramento divulgado pelo Cemaden em 2 de outubro, com atualização da página em 7 de outubro. A análise considera as condições registradas em setembro e compara a evolução dos indicadores com o mês anterior, oferecendo uma fotografia recente da pressão sobre o campo brasileiro.
Nordeste reúne a maior concentração de áreas expostas
Entre os estados com maior número de municípios nessa situação, Alagoas aparece com 75 localidades, seguida pela Bahia, com 65, e por Sergipe, com 58. Somados, os três estados reúnem 198 dos 228 municípios que apresentaram mais de 80% da área agropecuária sob possível impacto da seca.
O monitoramento também identificou áreas afetadas no Amazonas, em Pernambuco e em outras unidades da federação. A distribuição dos registros mostra que o problema não está restrito a um único tipo de produção ou território, embora o Nordeste concentre a parcela mais expressiva dos municípios com maior proporção de áreas agrícolas e de pastagens potencialmente atingidas.
Em uma faixa mais ampla de impacto, 317 municípios apresentaram pelo menos 40% de suas áreas agrícolas ou de pastagens potencialmente afetadas em setembro. Esse recorte inclui tanto localidades com exposição intermediária quanto aquelas em que a seca alcançou mais de 80% da área considerada agroprodutiva.
Indicador mostra piora entre agosto e setembro
Além do recorte sobre lavouras e pastagens, o Índice Integrado de Seca (IIS-3) apontou avanço nas categorias de maior intensidade. O número de municípios classificados como em seca severa ou seca extrema passou de 157 em agosto para 276 em setembro, uma alta de 75,8%.
O IIS-3 é utilizado pelo Cemaden para acompanhar a intensidade da seca nos municípios brasileiros. A classificação ajuda a dimensionar a evolução do fenômeno em escala territorial, enquanto o levantamento sobre áreas agroprodutivas indica onde a redução da disponibilidade hídrica pode alcançar diretamente atividades agrícolas e pecuárias.
Por isso, os dois dados devem ser observados em conjunto. O aumento de municípios nas categorias severa e extrema sinaliza uma piora regional do quadro, mas a parcela de área agrícola ou de pastagem potencialmente afetada ajuda a identificar a extensão do risco dentro de cada localidade. Para produtores e gestores, essa diferença é relevante na avaliação das condições do solo, da vegetação e da oferta de água.
Recursos hídricos entram no planejamento da safra
A seca pode influenciar decisões relacionadas ao calendário de plantio, à manutenção das pastagens e à necessidade de ajustar o uso da água nas propriedades. O monitoramento não representa, por si só, uma confirmação de perdas em todas as lavouras ou rebanhos dos municípios classificados, mas indica áreas que exigem acompanhamento mais próximo das condições de produção.
O Boletim de impactos de extremos hidro-geo-climáticos do Cemaden também acompanha efeitos relacionados à agricultura, à vegetação, aos níveis dos rios e à previsão de vazões. Esses indicadores complementam a leitura do IIS-3 ao mostrar que a gestão do risco depende não apenas da chuva registrada, mas também da resposta dos recursos hídricos e das áreas produtivas.
Com o ciclo 2026/27 no horizonte, a evolução desses dados pode orientar o planejamento de agricultores, pecuaristas, cooperativas e órgãos públicos. A observação contínua da água disponível no solo, das condições das pastagens e do comportamento dos rios é especialmente importante nos municípios em que a seca já alcança a maior parte da área agropecuária.