A produção brasileira de café deve alcançar 67,6 milhões de sacas de 60 quilos em 2026, segundo a estimativa divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 24 de setembro. O volume representa crescimento de 19,6% em relação à safra de 2025 e, de acordo com a companhia, corresponde ao maior resultado da série histórica de levantamentos.
Os dados fazem parte do 3º Levantamento da Safra de Café 2026, publicado pela Conab. No momento da divulgação, 99% da área cultivada já havia sido colhida, o que confere à projeção um nível avançado de acompanhamento da temporada.
Bienalidade positiva sustenta avanço da produção
O desempenho previsto para 2026 está associado principalmente à bienalidade positiva do café, fenômeno que alterna anos de maior e menor produção em parte das lavouras. A estimativa também considera o aumento da área em produção e a melhora da produtividade média nacional.
O café arábica deve responder por aproximadamente 70% do volume total previsto. A produção dessa variedade é estimada em 48,2 milhões de sacas, enquanto o restante da safra será composto pelo café conilon. A divisão reforça o peso do arábica na composição da produção brasileira projetada para o próximo ciclo.
A Conab detalha que a previsão reúne informações sobre as principais regiões produtoras do país. O resultado nacional, portanto, combina diferentes condições de cultivo e trajetórias regionais, sem representar um avanço uniforme em todos os estados ou variedades.
Espírito Santo tem previsão de queda no conilon
Embora a produção brasileira apresente crescimento expressivo na estimativa geral, o Espírito Santo deve registrar uma redução de 5,4% na produção total de café em 2026. O estado é o principal produtor brasileiro de café conilon, variedade que tem participação relevante na oferta nacional.
A diferença entre o resultado esperado para o país e a projeção capixaba mostra a importância de observar os dados por região. A safra recorde estimada pela Conab é resultado do desempenho agregado das áreas produtoras, mesmo com previsões de recuo em determinadas localidades.
O detalhamento regional está disponível no boletim técnico da Safra de Café de setembro de 2026, que reúne tabelas e informações sobre a produção por estados e regiões.
Exportações avançam em agosto
O levantamento também relaciona a produção de café ao desempenho recente do comércio exterior. Em agosto de 2026, o Brasil exportou 3,8 milhões de sacas, volume 25,8% superior ao registrado em julho e 43,2% maior que o de agosto de 2025.
Os números de exportação foram apresentados pela Conab no anúncio da estimativa da safra. A alta mensal e anual indica um ritmo mais forte dos embarques no período analisado, ampliando a relevância econômica da cadeia para produtores, cooperativas, exportadores e demais agentes envolvidos na comercialização do café brasileiro.
O resultado das exportações, no entanto, é um dado referente a agosto e não deve ser confundido com uma previsão para os embarques de todo o ano. Já a estimativa de 67,6 milhões de sacas representa a projeção da produção nacional de 2026 elaborada pela companhia.
O que a estimativa representa para a cadeia do café
Uma safra maior amplia a oferta potencial de café produzido no país e fornece uma referência para os diferentes elos da cadeia, desde as propriedades rurais até as cooperativas, indústrias e empresas exportadoras. O efeito comercial dependerá da evolução da colheita, da qualidade dos grãos, da demanda e das condições de mercado, fatores que não são quantificados no levantamento apresentado.
Para o agronegócio brasileiro, a projeção confirma a dimensão da cafeicultura nacional e a concentração de parte significativa da produção no arábica. Ao mesmo tempo, a queda prevista no Espírito Santo evidencia que o acompanhamento por estado continua necessário para compreender os impactos da temporada sobre o campo.
Com praticamente toda a área já colhida na data de divulgação, a estimativa da Conab consolida o cenário de uma safra de café 2026 recorde. O número final ainda dependerá do fechamento dos dados da temporada, mas a projeção atual aponta para uma produção 19,6% maior que a de 2025 e para o maior volume da série histórica da companhia.
Fonte: Conab.