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Policial que matou empresário vai responder processo em liberdade

Depois de desentendimento no trânsito, agente da PRF matou empresário

Publicado em: 02/01/2017 às 18h44

Correio do Estado

- Foto: Valdenir Rezende / Correio do Estado
O policial rodoviário federal Ricardo Hyun Moon, de 47 anos, preso depois de matar o empresário Adriano Correia, 33, vai responder o processo em liberdade. Isto porque ele não tem antecedentes criminais, possui residência fixa e, no entendimento do juiz não apresenta risco à sociedade.
 
A liberdade provisória do PRF foi concedida, no domingo (1), pelo juiz plantonista José de Andrade Neto, com algumas restrições. Moon ficará suspenso da polícia até o fim do processo, não poderá portar arma e ficará impedido de sair de casa no período noturno --- das 22h até as 6h do dia seguinte.
 
O juiz comentou o clamor público do caso, mas em sua decisão informou que "a comoção social não constitui fundamento idôneo para autorizar a prisão preventiva".
 
Moon foi preso em flagrante depois de ter atirado pelo menos sete vezes contra Correia, após briga de trânsito, na Avenida Presidente Ernesto Geisel.
 
Em coletiva realizada na tarde de sábado, na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do centro, o delegado plantonista João Eduardo Davanço relatou que, em depoimento, Moon explicou que seguia para posto rodoviário na fronteira, onde estava escalado a serviço. Foi quando passou pela avenida Ernesto Geisel e foi fechado pela caminhonete Toyota Hilux, conduzida por Correia.  
 
"Ele conta que a caminhonete quase bateu no carro dele por duas vezes. Que ele desceu do carro, se identificou, mas que não acataram a ordem de parada dele", explicou o delegado. Ainda conforme Davanço, Moon relatou que os outros dois ocupantes do carro desceram e deram início a uma discussão. 
 
Quando os ocupantes retornaram para a caminhonete, Correia, que estava aguardando, teria avançado contra Moon na tentativa de atropelá-lo. Foi então quando o policial efetuou os disparos, destacou o delegado, com base no depoimento do autor.
 
Moon foi detido em flagrante e direcionado para a Depac centro. Após prestar depoimento, passou por exame de corpo de delito e encaminhado ao Garras, onde aguarda pela audiência.
 
Informações da perícia indicam que o empresário foi atingido por quatro disparos. Ele sofreu duas perfurações no tórax, uma na costela e outra no braço direito. O crime aconteceu enquanto vítima e dois familiares retornavam de uma casa noturna onde foram comemorar aniversário. 
 
CASO
 
De acordo com a Polícia Civil, Ricardo Moon teria disparado pelo menos sete vezes. O caso ocorreu na avenida Presidente Ernesto Geisel, entre a rua 26 de Agosto e a avenida Fernando Corrêa da Costa, quase em frente à Capela da Pax Mundial.
 
No cruzamento da 26 com a Ernesto Geisel, peritos apreenderam sete cápsulas de pistola, e mais uma perto do veículo da vítima. A assessoria da PRF em Mato Grosso do Sul afirmou que, na versão do policial preso em flagrante, ele teria tentado abordar a caminhonete Toyota Hilux conduzida por Adriano Correia, que teria desobedecido e avançado com o veículo na direção do agente. Diante da ocorrência, o policial, que dirigia uma Mitsubishi Pajero, teria perseguido a vítima e efetuado os disparos em seguida.
 
TESTEMUNHAS
 
Após passar pela Afonso Pena, os veículos pararam e todos desceram para discutir. Mototaxista que teria flagrado a ação desde o início disse que a vítima pediu desculpas e falou que, caso fosse preciso, poderiam acionar a polícia de trânsito.
 
O PRF, aparentemente alterado, não se identificou em momento algum como policial, sacou a arma e passou a ameaçá-los, razão pela qual todos voltaram para a caminhonete e fugiram. O autor foi atrás e atirou pelo menos sete vezes, perto do cruzamento da 26 com a Ernesto Geisel.
 
Correia foi atingido, perdeu o controle da direção e, quase em frente à Capela da Pax, bateu violentamente em um poste. Testemunhas que acompanhavam velório na Capela afirmaram terem ouvido o som do disparo e, ao verificar o ocorrido, viram um homem caído fora da Hilux e o PRF chegando logo em seguida em sua Pajero, com a arma em punho.
 
"As outras pessoas estavam gritando e ele desceu armado para atirar, ia matar todo mundo, mas daí ele viu esse monte de gente que saiu do velório, se assustou e guardou a arma", afirmou uma mulher que presenciou o desfecho dos fatos, mas que preferiu não ser identificada.
 
Os dois homens, foram socorridos pelo Corpo de Bombeiros e levados para a Santa Casa, um deles atingido na perna. O outro teria quebrado o braço em razão da batida. Ambos continuam internados. O corpo do motorista ficou no local até a chegada da perícia.